13 setembro 2008

Oi, preciso contar!!

Oi, eu só queria fazer um relato porque eu acho que não vou conseguir viver se eu não contar o que aconteceu comigo ontem e o que eu vi!
Nossa! Só de pensar eu já fico toda emocionada e arrepiada, ai que vergonha!
Então, eu trabalho num estabelecimento, ele é público sabe? É uma galeria, mas a gente costuma dizer que é um shopping e os banheiros de lá são sempre na mesma ordem: homem na esquerda, infantil no meio e mulher na direita, é regra... já estou acostumada... Já nem olho quando vou.
Saí de casa ontem e entrei num shopping, eu estava toda descabelada porque estava um vendaval na rua e uma chuva irritante, sabe? Essas chuvas assim... Que começam e logo param, pois então.
Eu não sei ler direito, consegui um emprego de faxineira lá no shopping porque meu cunhado trabalha com um dos responsáveis por essa parte e ih! Sou esperta que só vendo, não gosto de ficar parada não... E tenho uma orientação muito boa, além de saber falar tudo direitinho e quando não sei eu sempre pergunto, não gosto de fazer feio, ainda pretendo saber escrever e ler, eu acho tão bonito... ah!
Minha vida não foi nada fácil, sabe?
Meu pai me abandou e minha mãe me criou como pode, eu sou a primogênita (acho tão bonita essa palavra...) e tenho mais três irmãos, então eu logo cedo passei a ajudar minha mãe em casa, com uns bicos pra guardar dinheiro... Depois ela ficou adoentada e eu tive que cuidar dela, não tive muito tempo pra pensar em mim e agora tenho minha família e tenho que garantir o estudo e o pão deles, mas acho que já estou fugindo demais do assunto e estou ficando agonizada aqui! Preciso contar o que vi... O que estou sentindo...
Como eu não sei ler e estou acostumada com o banheiro feminino sempre do lado esquerdo, fui andando e entrei... Nisso eu estava tão preocupada com aquele meu cabelo de vassoura, eu devia estar parecendo uma bruxa! Todo pra cima, como diz meu filho caçula: “mamãe fica igual o cara da propaganda de carro que tira coisas de dentro do cabelo...” ele é um menino muito inteligente, sabe? Tem oito anos mas conversa super bem e vai bem na escola, além de me ajudar com coisas fáceis em casa...
Então fui arrumando meu cabelo “guarda-coisas” no espelho e pelo espelho olho pra trás e tem um mictório!
Minha Nossa Senhora! Que Susto! Tinha um homem ali, de pé com... com... ai gente! Com aquele troço pra fora endireitando na calça! E eu fiquei ali toda sem graça, não sei se por ter visto, por estar no toalete errado ou pela minha cara de bruxa com cabelo armado!
O homem todo gentil foi conversar comigo:
- Moça, você está com algum problema?
- Eu? Não... Eu só entrei no banheiro errado por força do hábito, me perdoe moço, juro que não vi nada... (senti meu rosto corar)
- Tudo bem, nada que todos os homens não tenham igual ou parecido, né? (ele sorriu meio sem graça, já que não havia solução)
- É... eu acho, mas então deixe eu me apressar e ir para o outro toalete...
Saí que nem sabia por onde pisar! Aquele homem era lindo!
Era o Homem da Minha Vida... Tenho certeza e olha, cá entre nós... Era bem grande!
Eu não sou muito de reparar nessas coisas quando já estão por dentro da calça, mas como ele ainda estava ajeitando... Eu não pude deixar de notar, ah... estou tão envergonhada e ao mesmo tempo emocionada, desde que meu falecido marido (que Deus o tenha!) se foi que eu não via um...
As coisas estão baixando de nível e eu não posso permitir isso, sou uma mulher, mãe e tenho dois filhos e uma casa pra cuidar!
Mas eu precisava... Vocês me entendem? Eu precisava desabafar, nem que fosse manchar um pouco da minha reputação e um pouco da minha dignidade, não é todo dia que se acontece uma coisa dessas!
Ah... Acho que vocês estão curiosos pra saber quem está escrevendo isso pra mim, então... Minha sobrinha, Catarina... É um amor mesmo, né? Olha a paciência que ela tem comigo... Está aqui comigo pra eu relatar como tudo aconteceu... Não posso tomar mais o tempo dela, ela tem seus afazeres e eu os meus, é apenas uma história pra eu não morrer de aflições, precisava compartilhar da minha experiência, vocês entendem né? Vocês também não contariam pra alguém se fosse com vocês?!
Acho que vou procurar freqüentar aquele lugar, vai que eu vejo aquele moço de novo... mas não dentro do banheiro deles... De preferência.

04 setembro 2008

Ele não fechou em sinal de protesto, talvez.

A pia gotejava, seguia uma seqüência, num intervalo preciso e uniforme, diferente de sua mente que jorrava milhares de pensamentos e idéias frustradas, difusas – confusas, pertinentes...
Deitado na cama com as mãos entrelaçadas sobre o ventre, num olhar fixo e perdido na mancha do teto.
O cansaço o fez dormir.
As gotas provocavam eco, eco esse refletido inconscientemente [irritantemente] em sua cabeça.
O quarto escuro por completo se a luz do banheiro não estivesse acesa, na porta semi-aberta.
Acordou debruçado sobre suas coisas jogadas no canto da cama, havia babado...
O rosto amassado e seu escarro refletido nas gotas incansáveis de uma pia que continha um bilhete, era um papel colorido, fluorescente, colado abaixo do espelho:
“Feche bem a torneira” - Foi o último bilhete deixado antes de partir.
Ela partiu em silêncio.
Seu único pedido era por ele negado, como sinônimo de todo seu orgulho e conflitos internos, buscando lógicas comportamentais, buscando razões, buscando o inverso de uma profunda solidão e desolamento, buscando... Buscando um sentido nisso tudo.
Um sentimento nessa ausência, a amabilidade do acaso. O desconforto de sua roupa o fez levantar, na pequena mesa com um rádio relógio indicando longas horas da madrugada, voltou a perceber o barulho da gota, desprezando a pia.
Voltou ao banheiro, olhou o bilhete com os olhos lacrimejando, como se visse o reflexo de toda sua atenção, todo o zelo que procurava ter... Era um pedaço ( o único) dela que ainda restava.
Levou as mãos até o rosto, deslizou pelos azulejos da parede e aos soluços chorou, encolhendo-se cada vez mais...
Afogando-se, enclausurando-se sobre o intervalo da pia e o vaso sanitário... Era ali sua prisão e sua sentença assinada num pedaço de papel brilhante!
Seus princípios haviam sido cruelmente chocados, não havia um “nós” não havia espaço pra mais ninguém e apenas todo o seu vazio preenchido de uma enorme mágoa e insensatez, cabia a ele sofrer...
Sofrer seus dias, despejando toda a inutilidade e precariedade no seu intervalo. Sua vida era o intervalo da pia e o vaso, seu tempo era um bilhete, suplicando de que as gotas cessem...


(26 de agosto de 2008)

24 julho 2008

Instintos

- Ele é um ególatra, um esnobe, individualista!
- Não estou aqui para discutir posturas de terceiros com você, quem somos nós pra julgar?
- Você não sabe o que diz, mas eu sei! Ele me traiu, eu não desisti dos nossos sonhos, ainda luto por aquela marca e ele... Ele deu as costas a tudo isso, quanto mais alimenta seus conhecimentos, estuda e a cada linha que lê de livros de grandes pensadores, um passo a menos de humildade... Um passo a menos de humanismo, é apenas um poço de sabedoria soberba.
- Chega disso! Eu não agüento mais!
(aos soluços pude ver a pobre garota cobrindo o rosto com as mãos, as lágrimas em seus dedos era o sufocar dos fatos).
Estava ela falando de Arte num tom hostil, eram clássicos infantis, grandes obras!
O que os tornam viajantes de estradas diferentes: No início eram apenas jovens e banalidades que ganham prioridades em determinados contextos de uma história de vida, no outro se tornam rivais dos pontos de vista e atitudes até então ordinárias. Tornam-se escravos de suas idéias e da força que o conflito delas pode gerar.

- Eu falava de um livro, da magia de um livro, apenas isso... Não queria causar uma discussão e tão pouco fazê-lo recordar de angústias passadas...
- Sinto angústia, de fato... Não posso negar todo o sofrimento que aquele...
(hesitou...).
Ela se adiantou, antes que ele voltasse a sua retórica ofensiva:
- Tudo bem, não falaremos de vocês dois, voltaremos ao tema inicial dessa conversa até então agradável.
- Mas isso tudo é culpa sua! Acaba com esse jeito cáustico e agressivo por causar sentimentos de fúria em mim, um homem com problemas de mais para certas imaturidades transpostas num diálogo cansativo e sem fundamento algum!
- Na infância eu li aquele livro, me sinto como o protagonista dele, acredito ainda, que estamos todos perdidos e buscamos onde nos encaixar, na individualidade de sermos formados por milhares de coisas, mas todas elas acopladas, num contexto onde o resultado é apenas um, um único ser de tudo aquilo e é tão difícil e complexo lidar com as diferenças.
- Me sinto perdido.
- Somos todos únicos, eu-você-ele: Talvez isso torne tão difícil julgar atitudes...
- Não retomemos essa discussão besta!
- Enfim... Era sobre o protagonista do livro infantil que eu queria dizer...
- Sobre a Arte presente desde a infância.
- Não, sobre a idéia de estar/sentir-se perdido, sendo individual apesar de viver em sociedade.
- Quem lhe apontou uma verdade há muito tempo exposta por tantos filósofos, psicólogos, pensadores, estudiosos ou até na análise simples de comportamentos, foi a obra infantil daquele autor?
- Não necessariamente... Mas talvez tenha sido o reflexo de percepções em mim contidas.

Ele parecia saber exatamente o efeito que suas perguntas causariam e já estavam causando, ela se via confusa até mesmo com suas respostas vagas...
Sua confusão começava na inversão de papéis: era posta à mesa suas perguntas, o encurralado nas dúvidas e respostas que exigiam mais prontidão e total atenção de quem está sendo questionado era o outro, era sempre o outro.
O conflito esticava-se até suas reflexões, que ele insistia em aguçar de forma sutil, mas que mesmo assim a abalava, sendo que ela não compreendia as razões desse efeito e o que lhe traria a proporcionar isso, voluntario ou involuntariamente ele provocou uma guerra no interior de uma alheia.
Ela sabia disso e havia uma revolta tão grande e um asco dessa conversa de início banal que agora se prolongava inúmeras vezes, de inúmeras formas em sua mente.
- Apresentando idéias e suas reflexões através da Arte de outrem?
- Não é bem assim...
(calou-se, sem convencer e sabendo disso).
- Qual a importância da Arte para sua vida?Ela ficou parada por um tempo, assimilando as informações, se já não estivesse confusa teria a resposta em prontidão, por que hesitava dessa vez?
Sempre deixou nítida sua essencialidade, mas dessa vez era diferente... Ela temeu e recebeu a pergunta como uma tempestade de incertezas que a dominavam provocando um estado de desconforto.
Tentando passar serenidade e convicção, respondeu, desta vez sem muita prontidão mas manifestando segurança e com a cabeça erguida:
- Ela é essencial, talvez viva por ela. Isso se não vivo nela, de fato.
Triunfante! Uma atriz, uma verdadeira atriz!
Um pouco decepcionado com sua persuasão, encerram a conversa da mesma maneira que a iniciaram.
Nela provocando um alivio, foi um exaustivo interrogatório do qual prosseguiu de forma estratégica e numa perfeita atuação!

19 julho 2008

Relatos egocêntricos

Nove de junho de 2008-07-19
O nome dele era Chico e o da minha história era “A fadinha e o super-herói”, esse nome carregava um pesado fardo, responsável... Talvez de valor sentimental para outros e inspiração para alguns.
Foi assim que o nome da minha história junto com toda ela virou uma correspondência ao dono do nome Chico e de todo ele.
Qual seria o terceiro nome ao aparecer aqui? Seria aquele não sei, teria eu, o direito de saber que já indiretamente sou responsável por esse nome por todo o seu resto? Esses relatórios se perderam, talvez sem se quer existem, a forma mais utópica de sentir falta, é de tudo aquilo que não se conhece. Sinto falta daquela correspondência extraviada, interrompida, daquela que nunca vi, nunca li e que tanto quis apreciar, me emocionar, tendo a certeza de que me acrescentaria um tanto, deixando de lado a importância... Tornando desnecessário esse relato, mudando um pouco seu sentido, desconfigurando.
Passam-se textos, pensamentos e as pessoas e tudo isso e mais todo o resto sem que possamos ao menos ter acesso ou aproveitar disso e daquilo...
E por que do “possamos”, estou falando de mim, falo egocentricamente dos meus sentimentos e pensamentos e não há espaço nesse caso para reflexões com o resto da sociedade, necessito desse individualismo momentâneo e me iludir por alguns instantes de que a única razão e preocupação mundial são todas ligadas ao meu bem-estar.
Ainda não semana passada um amigo me dizia que o problema da falta de ignorância é que agregamos os problemas mundiais em nosso cotidiano, trocamos o mais sofisticado pelo mais justo e baseado nisso decido que nesse relato ignorarei o resto dos problemas mundiais e sociais (aqueles que conheço e/ou tenho noção que existem)
Tornando-me extravagante.
Voltando a causa do relato, discuti com minha terapeuta há umas duas semanas atrás de que não poderia sentir falta do que nunca vivi, ela concordou que tecnicamente eu tinha razão, mas que na prática eu poderia me frustras em determinados atos que nunca fiz e me pego em controvérsia, sinto falta do que idolatrei sem ter vivido ou possuído, não que seja a mesma coisa que “frustrações, falta daquilo que não viveu”, isto que digo são fatos pequenos e não creio que nos maiores isso seja possível, nas futilidades isso é mais aceitável.
Entendo agora porque conjugando verbos na 1ª pessoa do plural é mais digerível e menos exibicionista, agora estou me sentindo invadida e acabei por não ser clara, ah!
Cansei disso ta? Hasta!

18 julho 2008

Eu pude ver a liberdade

Era loira, cabelos cacheados, olhos bem azuis e vivos ( não que eles pudessem estar mortos numa garotinha com tanta energia, o que quero dizer é que havia um brilho intenso naqueles olhos e em sua cor).
Pensando bem... Acho que seus cabelos eram lisos e negros... Pele branquinha e olhos esverdeados (ah! Aquela carinha de Branca de Neve) ou seria ruiva com muitas sardinhas? (Aquela coisa meio sueca, com um jeitinho sapeca...) Era negra! Lábios grossos e olhos de jabuticaba (sua pele reluzia, era linda!).
Já não sei qual foi a imagem que fiz da pequena garota e seus balões coloridos, eram daqueles simples, os de máquina de gás se soltarmos por um descuido... Voam alto até onde nossas vistas não possam encontrá-los.
Balões simples são como paixões... Tiram-nos o fôlego para encher, são viçosos quando cheios, brincamos... As vezes em alta outras em baixa e murcham aos poucos, devemos tomar cuidados para não estourarem, caso ocorra quando estiverem muito grandes, nos dão um susto.
Ela brincava com diversos deles, todos juntos: vermelhos, azuis, brancos, verdes... Os empurrava e eles alcançavam determinada altura, depois declinavam voltando às suas pequenas mãos estendidas como quem espera que uma prece seja atendida, eles permanecem mais tempo no ar do que no toque leve de seus dedos, mas é o suficiente para gargalhar, estendendo seu sorriso.
Passam-me como flashes histórias infantis de garotas, mas uma insiste como o reflexo da doce imagem da garotinha dos balões, ela seria aquela que ama o Sol e a Lua?
Cada um em seu determinado tempo, mas ambos na mesma intensidade...
A imagem da garota vem acompanhada de uma bela Lua, que a acompanhará até a hora de deitar, depois o Sol lhe acordará e os balões subirão e descerão ainda mais bonitos pela luz e calor de seu amado.
Como a imagem dela é tão presente se mal me lembro como ela era?
Talvez seja apenas um vulto, sua sombra... A imagem de sua alma era mais transparente, colocando à frente de qualquer característica física.
Seu riso livre de responsabilidades banais, olhar despreocupado das morais impostas e isso tudo embargado de uma inocência que o tempo ainda não pode destruir, de sonhos ainda não corrompidos...
Eu pude ver a liberdade, diante dos meus olhos na forma mais literária e abrangente, mais pura e genuína.

Ao meu caro M. Dylan

11 julho 2008

- Vamos lá, quantos filhos você tem?

Eu caminhava pela praia, numa manhã de céu acinzentado e não tinha mais noção de quantos dias passaria por ali, tenho problemas com cronologias... E isso tem se agravado ultimamente, cada vez mais... Não sei dizer ao certo quanto tempo, pois como já estou dizendo: Esse é o problema.
Durante a caminhada, percebi que não iria chover tão logo, mas que o Sol também não apareceria naquele dia, resolvi sentar na ponta de uma pedra e contemplar uma vista que há muitos não agradariam.
Conforme o vento batia em meu rosto, embaraçando meus cabelos e secando a umidade natural dos meus olhos, conformei na situação.
Eu havia me perdido, por fim...

>"Morava numa casa velha.
Era julho. As temperaturas baixavam cada dia mais e por um hábito inconstante, levantava pelas manhãs, colocava ainda mais roupas e casacos sem nunca retirar o pijama de algodão, tomava um café preto com pouco açúcar e caminhava até o Parque do Lago que havia na cidade.
Sentava num banco observava os pombos, brincava com as pedrinhas, logo os operários começavam a cercar o parque, atrasados, apressados... Havia uma grande indústria ali perto.
Mesmo assim o inverno lhe trazia a solidão, uma solidão nostálgica no verão, tornando-se completo nessa estação, ironicamente não falo, talvez seja a manifestação da alma na incoerência do ser.
Passava horas ali, no frio... Tentando buscar não se sabe o que e foram assim os invernos durante anos. Se lhe acrescentou ou não, isso não cabe a mim, estou aqui para contar a história, os sentimentos envolvidos só os mais transparentes minha percepção alcança, os outros ficam subjugados sem a certeza, talvez na auto-reflexão."

Durante sete invernos, por todas as manhãs, estive no mesmo lugar, os lugares em mim eram distintos, mas no espaço físico, como num templo era um só.
Das banalidades às minhas prioridades, era tempo e espaço de definir, analisar, compreender, aceitar e buscar nos detalhes toda complexidade.
Não pude aproveitar ou me despedir do inverno no Parque do Lago, sabia do risco que corria todo o tempo de muda-me de cidade. Nada me prende aqui, apenas o Lago, posso construir uma nova estrutura num lugar distante, afinal... A vida é feita de despedidas.
Citações em determinadas ocasiões não devem ser atribuídas, sentimentos nos entregam...
Pensando no quanto, às vezes... Torna-se difícil se expressar e arrumar algo para querer dizer... por isso, isso aqui vira um conto do nada e volta e vai...

E o que meus filhos teriam a ver com isso?

02 julho 2008

Paredes da nostalgia

É... Talvez eu tenha um novo post

Meus olhos fitavam num ângulo que não sei definir direito, porque não consigo entender geometria espacial!
Mas num ângulo onde nem toda aquela construção parecia banal, nem toda nostalgia, efêmera. Confortei-me ao conseguir encontrar um ângulo, mesmo sem saber qual era, onde pudesse descobrir um resto daquilo que acabou...
As paredes trancaram a liberdade nostálgica, talvez o templo de toda a nostalgia, um aglomerado de todas as lembranças que vinham e iam sem seguir ordens cronológicas, sem se preocupar com as horas e com quem as vivia ou ouvia relatos... Ali igualávamos qualquer história que seja especial e relevávamos o resto, o que importa é o que realmente nos importava.
Uma vontade reprimida de destruir as paredes, o concreto que abala minha sede do intangível, do mistério de sentir...

Aquela foi uma tarde de acasos, nada planejado e tudo acontecendo e [des]acontecendo como o acaso espera que seja, dando direito até a chopp no meio do dia, violão, fones compartilhados com Hendrix, unhadas na coxa... A nostalgia cruza seu ápice na visão ampla de uma cidade que tão pouco exploramos, com visões diferentes diante de um mesmo ângulo (talvez esse, de um pouco mais de 180º). Assuntos vão sendo despejados em pautas como se tudo aquilo fosse planejado durante muito tempo... Sendo que o “tempo” é a única razão de aquilo tudo existir...
As causas de determinadas escolhas são diferentes, mas isso não altera as mesmas escolhas e tudo parece tão óbvio e ao mesmo tempo é tão surpreendente!

O que cabe agora é cruzar as linhas da nostalgia com minha vida que ainda acontece, no agora... Se eu pudesse mudar algumas coisas, algumas posturas e atitudes passadas... Teria o feito, mas tudo é uma grande forma de aprendizado e eu sou um poço de minhas próprias histórias e profundo para caber ainda diversas delas...
Minha vida sempre é literária demais...
Não segue regras de realismo, dosagens de realidade dura e cruel... Ela sempre vem embargada de... Contos, romances, filmes franceses... Sentimentalismo... Arte! É isso, eu não sei viver, eu apenas faço arte em tempo integral.