As cortinas seguiam a posição que o vento da fresta da janela coordenava, invadindo o quarto, aquela luz branca... Eu acordei e fiquei observando a cortina bailar de frente a janela, parado... Ali diante de um ato tão banal, mas que naquele instante deixava de ser, mesmo sem eu ter me dado conta disso.
O dia seguiu sua trama rotineira e eu inserido numa realidade que muito rejeitei, muito evitei, mas estava nela e agora não podia colocar de fronte aos meus ideais e princípios que não fazem nem nunca fizeram diferença alguma pro resto da sociedade e suas morais pré estabelecidas.
Pensei em quantas vezes fui como a cortina: Dançando conforme a música.
Dancei conforme a música, segui aquilo que me mandaram seguir, ultrapassei meus princípios e aprendia a ceder e ser flexível, não que só houvesse o mal em todas as posturas que o mundo me forçou a ter, não que restassem apenas a essência... Se eu pudesse que tudo fosse diferente, se o vento não coordenasse minhas idas e vindas e a luz não fosse cegamente branca, talvez tivesse chegado onde sempre quis estar, fosse um pouco menos as minhas frustrações e os dias teriam todas as cores e eu não estaria preso num trilho onde meu caminho é sempre o mesmo e minha função também.
Não quero ser apenas uma cortina, vendo o mundo da janela sem nunca poder tocá-lo, sem nunca chegar onde a vista já não alcança.
19 outubro 2008
12 outubro 2008
Ritual de iniciação.
Todos os dias passo por alguma situação inusitada, por menor que sejam... São nesses pequenos detalhes que traduzo longas linhas de um novo conto, são neles que encontro o reflexo de toda uma história, de uma história que já possui um passado e tenho a árdua tarefa de criar seu presente com uma certa coerência, coerência essa, que muitas vezes é tida com apenas uma intuição.
O futuro da história torna-se conseqüência do que criei, do que desejei aos meus personagens, eu me sinto como... Como se fosse o destino, eu sou o destino que impôs determinado comportamento diante de vidas que já se ocorriam, que já se viviam em lugares e pensamentos remotos, criações não são apenas elas, assim... A esmo, cabe a mim o papel difícil de julgar, de explicar suas ações e tentar compreender e transmitir o que eles sentem, como a cena prosseguiu e alguns por quês que muitas vezes nem mesmo eu posso saber, são tantos os segredos e mistérios do comportamento humano, são tantas as dúvidas e razões de estarmos ou deixarmos de existir e são tantas as escolhas, como sentenciar certos atos e descrever num impulso o reflexo de um bom ou mau dia, transformar o simples em algo tão grandioso.
Minhas palavras são a única coisa que realmente possuo, são apenas minhas e de todos aqueles que criei resgatando de alguma parte, mas são só minhas... Meu lado egoísta, o meu orgulho e satisfação no produzir, no sentir que ao menos nas poucas vezes que sento diante desse computador ou com uma caneta e um velho caderno ou folha de papel transformo o que quero e sei que isso é o meu trabalho, a junção das palavras em frases que fazem um pouco de sentido são minhas, esse universo que é o meu e a responsabilidade de apresentar isso à alguém...
A preciosidade de cada palavra, se mal colocada... Posso arruinar vidas, sejam reais ou sejam as minhas milhares de vidas que domino a cada nova história e esse cargo que assumo podem me custar até horas de uma longa noite acordada, a fio...
Podem me custar o descaso de abandonar, de abortar contos sem um fim, sem nem se quer um meio, por parecer muito ousado...
A ousadia também me custa certos preços e o que faço agora, é apenas relatar um lado de tudo que se passa na mente de um escritor, dos medos e inseguranças ao se mover.
Destorcendo cada trecho do que foi real, criando seus extremos, desenrolando da maneira que eu desejo ou não, mas acho necessária é o que penso e o que causa impasse de ir além, de criar todos os dias dezenas de contos por simplesmente não passar de minha imaginação, do que posso, sem receio de ferir, de estragar... De corromper o que já existe, o que já tomou seu devido lugar e já sabe sua posição.
Até mesmo esse devaneio, não quero que se assustem, se quisesse... Falaria isso da maneira mais clara, ou seria dramática...
Apenas me refiro da maneira mais imparcial, talvez nem tanto...
Afinal, sou como qualquer outro escritor e sinto... Sinto o vento soprar no meu rosto e penso em milhares de coisas que poderia escrever, analiso a morte em suas diversas formas e quaisquer que sejam os sentimentos, do mais apático ao mais aflorado, ali estou julgando, analisando, interpretando pra sempre criar...
Mas nem sempre realmente produzir.
O futuro da história torna-se conseqüência do que criei, do que desejei aos meus personagens, eu me sinto como... Como se fosse o destino, eu sou o destino que impôs determinado comportamento diante de vidas que já se ocorriam, que já se viviam em lugares e pensamentos remotos, criações não são apenas elas, assim... A esmo, cabe a mim o papel difícil de julgar, de explicar suas ações e tentar compreender e transmitir o que eles sentem, como a cena prosseguiu e alguns por quês que muitas vezes nem mesmo eu posso saber, são tantos os segredos e mistérios do comportamento humano, são tantas as dúvidas e razões de estarmos ou deixarmos de existir e são tantas as escolhas, como sentenciar certos atos e descrever num impulso o reflexo de um bom ou mau dia, transformar o simples em algo tão grandioso.
Minhas palavras são a única coisa que realmente possuo, são apenas minhas e de todos aqueles que criei resgatando de alguma parte, mas são só minhas... Meu lado egoísta, o meu orgulho e satisfação no produzir, no sentir que ao menos nas poucas vezes que sento diante desse computador ou com uma caneta e um velho caderno ou folha de papel transformo o que quero e sei que isso é o meu trabalho, a junção das palavras em frases que fazem um pouco de sentido são minhas, esse universo que é o meu e a responsabilidade de apresentar isso à alguém...
A preciosidade de cada palavra, se mal colocada... Posso arruinar vidas, sejam reais ou sejam as minhas milhares de vidas que domino a cada nova história e esse cargo que assumo podem me custar até horas de uma longa noite acordada, a fio...
Podem me custar o descaso de abandonar, de abortar contos sem um fim, sem nem se quer um meio, por parecer muito ousado...
A ousadia também me custa certos preços e o que faço agora, é apenas relatar um lado de tudo que se passa na mente de um escritor, dos medos e inseguranças ao se mover.
Destorcendo cada trecho do que foi real, criando seus extremos, desenrolando da maneira que eu desejo ou não, mas acho necessária é o que penso e o que causa impasse de ir além, de criar todos os dias dezenas de contos por simplesmente não passar de minha imaginação, do que posso, sem receio de ferir, de estragar... De corromper o que já existe, o que já tomou seu devido lugar e já sabe sua posição.
Até mesmo esse devaneio, não quero que se assustem, se quisesse... Falaria isso da maneira mais clara, ou seria dramática...
Apenas me refiro da maneira mais imparcial, talvez nem tanto...
Afinal, sou como qualquer outro escritor e sinto... Sinto o vento soprar no meu rosto e penso em milhares de coisas que poderia escrever, analiso a morte em suas diversas formas e quaisquer que sejam os sentimentos, do mais apático ao mais aflorado, ali estou julgando, analisando, interpretando pra sempre criar...
Mas nem sempre realmente produzir.
16 setembro 2008
Conto que não é conto
Um dia ele me disse “Nem todo dia é dia” e o que seria um dia que não é dia?
Durante muito tempo da minha vida tentei entender os dias que não são dias e conseqüentemente tudo aquilo que deixa de ser o que é, que perde seu objetivo num decorrer de fatos aleatórios e imagens transfiguradas e no anonimato de simplesmente nascer não brilhando, nascer de um acaso ou não nascer.
Um dia não foi dia na minha vida, há alguns anos atrás e às vezes esse dia insiste em aparecer e aí o dia deixa de ser dia...
A cor também deixa de ser cor e o sorriso de ser sorriso... E assim por diante.
Quando eu penso nesses dias que às vezes aparecem, desaparecendo o dia e virando um sei lá o quê... Eu fico sentindo uma falta, uma falta do Sol brilhando, das flores de primavera, do inverno rigoroso, sinto a falta das nuvens cinzentas, das gotas que caem no meu suéter e... Porque nesses dias a última coisa que se lembra é das perguntas rotineiras sobre o clima e das mudanças repentinas devido ao aquecimento global, às vezes se esquece até de que se usa roupa e foi numa dessas ocasiões que me deparei com estações em mim, elas se tornam tão esquecidas que se instalam no nosso organismo pra ver se de alguma forma lembramos que elas estão ali... Que o dia é dia e não deixa de ser porque você proclamou que não seria.
Essas estações surgem em febres e lágrimas, muitas vezes, é tem dia que não é dia mesmo!
Mas hoje é um não-dia que eu quero falar dos dias... Porque na nostalgia há sempre um espaço apropriado nem que hoje não tenha cores, sorrisos e dias... Nem hoje seja apenas um espaço vago no calendário, um vazio mais tenebroso que o feriado chuvoso e depois que a festa acaba...
Quero lembrar das cores: Lembro sempre de Flicts quando as cores me perseguem e lembro que a capa de “Budapeste” é Flicts e logo lembro que Chico nunca foi pra Budapeste e teimava dizer que a cor da cidade era aquela, a Lua é Flicts e Ziraldo nunca foi até lá... Ele sabia que era e só. Assim como eu sei que fico vermelha quando tenho vergonha e às vezes meio Flicts quando estou enjoada.
Então eu quero criar: O dia estava azul, o céu estava limpo mas se via uma ou duas nuvens meio distantes... Branquinhas, branquinhas e eu via um jatinho traçando uma linha, cortando o céu, rasgando-o e deixando uma cicatriz... Eu via e o tempo ia passando e ele ia ficando menor e menor até que ele sumiu e eu girei no gramado gargalhando em despedida, a grama era verde, de várias tonalidades e o que me faz pensar que nesse conto não há sons, mas há cores e todas elas criam formas e imagens diferentes se destorcermos tudo ou se juntarmos um tanto...
Enquanto rodopiava pelo gramado algumas folhinhas se juntavam ao meu vestido listrado de branco e azul-turquesa e lembrei que já estava ficando tarde pro café que fiquei de tomar na casa da vovó...
Na mesa tinham todas as cores, preto, marrom, vermelho, amarelo... por baixo de tudo no xadrez, o roxo com branco e desenhos de diversas coisas de cozinha na velha e rendada toalha da vovó. Comi o bolo de chocolate, o café com bolachas e geléia de morango.
Já não quero mais as cores, já cansei de muitas delas e um sorriso não sai da minha cabeça, não sei nem a imagem que fiz da garotinha e seus balões, mas eu imagino seu sorriso e sua pureza e me faz muito bem e também lembro do sorriso do Super-Herói, esse lembro bem... Lembro de seu rosto e de cada detalhe e na mistura de tantos contos me faz tão presente a beleza daquele sorriso que guardo em mim em cada momento, como é belo e singelo... Como faz bem e as coisas que nos fazem bem são lembradas agora nesse momento que o que mais importa são minhas lembranças que seja num faz de conta ou que seja crua e real como a vida sem o resto...
Tem dia que a vida também não é vida mas a vida não sendo vida eu deixo pra um conto que não é conto, já que o trabalho é mais árduo e os sentimentos mais difíceis de serem interpretados.
Gosto do sorriso das crianças e gosto de Flicts.
Espero que amanhã tenhamos todos um bom dia... Afinal um dia há de recomeçar.
Durante muito tempo da minha vida tentei entender os dias que não são dias e conseqüentemente tudo aquilo que deixa de ser o que é, que perde seu objetivo num decorrer de fatos aleatórios e imagens transfiguradas e no anonimato de simplesmente nascer não brilhando, nascer de um acaso ou não nascer.
Um dia não foi dia na minha vida, há alguns anos atrás e às vezes esse dia insiste em aparecer e aí o dia deixa de ser dia...
A cor também deixa de ser cor e o sorriso de ser sorriso... E assim por diante.
Quando eu penso nesses dias que às vezes aparecem, desaparecendo o dia e virando um sei lá o quê... Eu fico sentindo uma falta, uma falta do Sol brilhando, das flores de primavera, do inverno rigoroso, sinto a falta das nuvens cinzentas, das gotas que caem no meu suéter e... Porque nesses dias a última coisa que se lembra é das perguntas rotineiras sobre o clima e das mudanças repentinas devido ao aquecimento global, às vezes se esquece até de que se usa roupa e foi numa dessas ocasiões que me deparei com estações em mim, elas se tornam tão esquecidas que se instalam no nosso organismo pra ver se de alguma forma lembramos que elas estão ali... Que o dia é dia e não deixa de ser porque você proclamou que não seria.
Essas estações surgem em febres e lágrimas, muitas vezes, é tem dia que não é dia mesmo!
Mas hoje é um não-dia que eu quero falar dos dias... Porque na nostalgia há sempre um espaço apropriado nem que hoje não tenha cores, sorrisos e dias... Nem hoje seja apenas um espaço vago no calendário, um vazio mais tenebroso que o feriado chuvoso e depois que a festa acaba...
Quero lembrar das cores: Lembro sempre de Flicts quando as cores me perseguem e lembro que a capa de “Budapeste” é Flicts e logo lembro que Chico nunca foi pra Budapeste e teimava dizer que a cor da cidade era aquela, a Lua é Flicts e Ziraldo nunca foi até lá... Ele sabia que era e só. Assim como eu sei que fico vermelha quando tenho vergonha e às vezes meio Flicts quando estou enjoada.
Então eu quero criar: O dia estava azul, o céu estava limpo mas se via uma ou duas nuvens meio distantes... Branquinhas, branquinhas e eu via um jatinho traçando uma linha, cortando o céu, rasgando-o e deixando uma cicatriz... Eu via e o tempo ia passando e ele ia ficando menor e menor até que ele sumiu e eu girei no gramado gargalhando em despedida, a grama era verde, de várias tonalidades e o que me faz pensar que nesse conto não há sons, mas há cores e todas elas criam formas e imagens diferentes se destorcermos tudo ou se juntarmos um tanto...
Enquanto rodopiava pelo gramado algumas folhinhas se juntavam ao meu vestido listrado de branco e azul-turquesa e lembrei que já estava ficando tarde pro café que fiquei de tomar na casa da vovó...
Na mesa tinham todas as cores, preto, marrom, vermelho, amarelo... por baixo de tudo no xadrez, o roxo com branco e desenhos de diversas coisas de cozinha na velha e rendada toalha da vovó. Comi o bolo de chocolate, o café com bolachas e geléia de morango.
Já não quero mais as cores, já cansei de muitas delas e um sorriso não sai da minha cabeça, não sei nem a imagem que fiz da garotinha e seus balões, mas eu imagino seu sorriso e sua pureza e me faz muito bem e também lembro do sorriso do Super-Herói, esse lembro bem... Lembro de seu rosto e de cada detalhe e na mistura de tantos contos me faz tão presente a beleza daquele sorriso que guardo em mim em cada momento, como é belo e singelo... Como faz bem e as coisas que nos fazem bem são lembradas agora nesse momento que o que mais importa são minhas lembranças que seja num faz de conta ou que seja crua e real como a vida sem o resto...
Tem dia que a vida também não é vida mas a vida não sendo vida eu deixo pra um conto que não é conto, já que o trabalho é mais árduo e os sentimentos mais difíceis de serem interpretados.
Gosto do sorriso das crianças e gosto de Flicts.
Espero que amanhã tenhamos todos um bom dia... Afinal um dia há de recomeçar.
13 setembro 2008
Oi, preciso contar!!
Oi, eu só queria fazer um relato porque eu acho que não vou conseguir viver se eu não contar o que aconteceu comigo ontem e o que eu vi!
Nossa! Só de pensar eu já fico toda emocionada e arrepiada, ai que vergonha!
Então, eu trabalho num estabelecimento, ele é público sabe? É uma galeria, mas a gente costuma dizer que é um shopping e os banheiros de lá são sempre na mesma ordem: homem na esquerda, infantil no meio e mulher na direita, é regra... já estou acostumada... Já nem olho quando vou.
Saí de casa ontem e entrei num shopping, eu estava toda descabelada porque estava um vendaval na rua e uma chuva irritante, sabe? Essas chuvas assim... Que começam e logo param, pois então.
Eu não sei ler direito, consegui um emprego de faxineira lá no shopping porque meu cunhado trabalha com um dos responsáveis por essa parte e ih! Sou esperta que só vendo, não gosto de ficar parada não... E tenho uma orientação muito boa, além de saber falar tudo direitinho e quando não sei eu sempre pergunto, não gosto de fazer feio, ainda pretendo saber escrever e ler, eu acho tão bonito... ah!
Minha vida não foi nada fácil, sabe?
Meu pai me abandou e minha mãe me criou como pode, eu sou a primogênita (acho tão bonita essa palavra...) e tenho mais três irmãos, então eu logo cedo passei a ajudar minha mãe em casa, com uns bicos pra guardar dinheiro... Depois ela ficou adoentada e eu tive que cuidar dela, não tive muito tempo pra pensar em mim e agora tenho minha família e tenho que garantir o estudo e o pão deles, mas acho que já estou fugindo demais do assunto e estou ficando agonizada aqui! Preciso contar o que vi... O que estou sentindo...
Como eu não sei ler e estou acostumada com o banheiro feminino sempre do lado esquerdo, fui andando e entrei... Nisso eu estava tão preocupada com aquele meu cabelo de vassoura, eu devia estar parecendo uma bruxa! Todo pra cima, como diz meu filho caçula: “mamãe fica igual o cara da propaganda de carro que tira coisas de dentro do cabelo...” ele é um menino muito inteligente, sabe? Tem oito anos mas conversa super bem e vai bem na escola, além de me ajudar com coisas fáceis em casa...
Então fui arrumando meu cabelo “guarda-coisas” no espelho e pelo espelho olho pra trás e tem um mictório!
Minha Nossa Senhora! Que Susto! Tinha um homem ali, de pé com... com... ai gente! Com aquele troço pra fora endireitando na calça! E eu fiquei ali toda sem graça, não sei se por ter visto, por estar no toalete errado ou pela minha cara de bruxa com cabelo armado!
O homem todo gentil foi conversar comigo:
- Moça, você está com algum problema?
- Eu? Não... Eu só entrei no banheiro errado por força do hábito, me perdoe moço, juro que não vi nada... (senti meu rosto corar)
- Tudo bem, nada que todos os homens não tenham igual ou parecido, né? (ele sorriu meio sem graça, já que não havia solução)
- É... eu acho, mas então deixe eu me apressar e ir para o outro toalete...
Saí que nem sabia por onde pisar! Aquele homem era lindo!
Era o Homem da Minha Vida... Tenho certeza e olha, cá entre nós... Era bem grande!
Eu não sou muito de reparar nessas coisas quando já estão por dentro da calça, mas como ele ainda estava ajeitando... Eu não pude deixar de notar, ah... estou tão envergonhada e ao mesmo tempo emocionada, desde que meu falecido marido (que Deus o tenha!) se foi que eu não via um...
As coisas estão baixando de nível e eu não posso permitir isso, sou uma mulher, mãe e tenho dois filhos e uma casa pra cuidar!
Mas eu precisava... Vocês me entendem? Eu precisava desabafar, nem que fosse manchar um pouco da minha reputação e um pouco da minha dignidade, não é todo dia que se acontece uma coisa dessas!
Ah... Acho que vocês estão curiosos pra saber quem está escrevendo isso pra mim, então... Minha sobrinha, Catarina... É um amor mesmo, né? Olha a paciência que ela tem comigo... Está aqui comigo pra eu relatar como tudo aconteceu... Não posso tomar mais o tempo dela, ela tem seus afazeres e eu os meus, é apenas uma história pra eu não morrer de aflições, precisava compartilhar da minha experiência, vocês entendem né? Vocês também não contariam pra alguém se fosse com vocês?!
Acho que vou procurar freqüentar aquele lugar, vai que eu vejo aquele moço de novo... mas não dentro do banheiro deles... De preferência.
Nossa! Só de pensar eu já fico toda emocionada e arrepiada, ai que vergonha!
Então, eu trabalho num estabelecimento, ele é público sabe? É uma galeria, mas a gente costuma dizer que é um shopping e os banheiros de lá são sempre na mesma ordem: homem na esquerda, infantil no meio e mulher na direita, é regra... já estou acostumada... Já nem olho quando vou.
Saí de casa ontem e entrei num shopping, eu estava toda descabelada porque estava um vendaval na rua e uma chuva irritante, sabe? Essas chuvas assim... Que começam e logo param, pois então.
Eu não sei ler direito, consegui um emprego de faxineira lá no shopping porque meu cunhado trabalha com um dos responsáveis por essa parte e ih! Sou esperta que só vendo, não gosto de ficar parada não... E tenho uma orientação muito boa, além de saber falar tudo direitinho e quando não sei eu sempre pergunto, não gosto de fazer feio, ainda pretendo saber escrever e ler, eu acho tão bonito... ah!
Minha vida não foi nada fácil, sabe?
Meu pai me abandou e minha mãe me criou como pode, eu sou a primogênita (acho tão bonita essa palavra...) e tenho mais três irmãos, então eu logo cedo passei a ajudar minha mãe em casa, com uns bicos pra guardar dinheiro... Depois ela ficou adoentada e eu tive que cuidar dela, não tive muito tempo pra pensar em mim e agora tenho minha família e tenho que garantir o estudo e o pão deles, mas acho que já estou fugindo demais do assunto e estou ficando agonizada aqui! Preciso contar o que vi... O que estou sentindo...
Como eu não sei ler e estou acostumada com o banheiro feminino sempre do lado esquerdo, fui andando e entrei... Nisso eu estava tão preocupada com aquele meu cabelo de vassoura, eu devia estar parecendo uma bruxa! Todo pra cima, como diz meu filho caçula: “mamãe fica igual o cara da propaganda de carro que tira coisas de dentro do cabelo...” ele é um menino muito inteligente, sabe? Tem oito anos mas conversa super bem e vai bem na escola, além de me ajudar com coisas fáceis em casa...
Então fui arrumando meu cabelo “guarda-coisas” no espelho e pelo espelho olho pra trás e tem um mictório!
Minha Nossa Senhora! Que Susto! Tinha um homem ali, de pé com... com... ai gente! Com aquele troço pra fora endireitando na calça! E eu fiquei ali toda sem graça, não sei se por ter visto, por estar no toalete errado ou pela minha cara de bruxa com cabelo armado!
O homem todo gentil foi conversar comigo:
- Moça, você está com algum problema?
- Eu? Não... Eu só entrei no banheiro errado por força do hábito, me perdoe moço, juro que não vi nada... (senti meu rosto corar)
- Tudo bem, nada que todos os homens não tenham igual ou parecido, né? (ele sorriu meio sem graça, já que não havia solução)
- É... eu acho, mas então deixe eu me apressar e ir para o outro toalete...
Saí que nem sabia por onde pisar! Aquele homem era lindo!
Era o Homem da Minha Vida... Tenho certeza e olha, cá entre nós... Era bem grande!
Eu não sou muito de reparar nessas coisas quando já estão por dentro da calça, mas como ele ainda estava ajeitando... Eu não pude deixar de notar, ah... estou tão envergonhada e ao mesmo tempo emocionada, desde que meu falecido marido (que Deus o tenha!) se foi que eu não via um...
As coisas estão baixando de nível e eu não posso permitir isso, sou uma mulher, mãe e tenho dois filhos e uma casa pra cuidar!
Mas eu precisava... Vocês me entendem? Eu precisava desabafar, nem que fosse manchar um pouco da minha reputação e um pouco da minha dignidade, não é todo dia que se acontece uma coisa dessas!
Ah... Acho que vocês estão curiosos pra saber quem está escrevendo isso pra mim, então... Minha sobrinha, Catarina... É um amor mesmo, né? Olha a paciência que ela tem comigo... Está aqui comigo pra eu relatar como tudo aconteceu... Não posso tomar mais o tempo dela, ela tem seus afazeres e eu os meus, é apenas uma história pra eu não morrer de aflições, precisava compartilhar da minha experiência, vocês entendem né? Vocês também não contariam pra alguém se fosse com vocês?!
Acho que vou procurar freqüentar aquele lugar, vai que eu vejo aquele moço de novo... mas não dentro do banheiro deles... De preferência.
04 setembro 2008
Ele não fechou em sinal de protesto, talvez.
A pia gotejava, seguia uma seqüência, num intervalo preciso e uniforme, diferente de sua mente que jorrava milhares de pensamentos e idéias frustradas, difusas – confusas, pertinentes...
Deitado na cama com as mãos entrelaçadas sobre o ventre, num olhar fixo e perdido na mancha do teto.
O cansaço o fez dormir.
As gotas provocavam eco, eco esse refletido inconscientemente [irritantemente] em sua cabeça.
O quarto escuro por completo se a luz do banheiro não estivesse acesa, na porta semi-aberta.
Acordou debruçado sobre suas coisas jogadas no canto da cama, havia babado...
O rosto amassado e seu escarro refletido nas gotas incansáveis de uma pia que continha um bilhete, era um papel colorido, fluorescente, colado abaixo do espelho:
“Feche bem a torneira” - Foi o último bilhete deixado antes de partir.
Ela partiu em silêncio.
Seu único pedido era por ele negado, como sinônimo de todo seu orgulho e conflitos internos, buscando lógicas comportamentais, buscando razões, buscando o inverso de uma profunda solidão e desolamento, buscando... Buscando um sentido nisso tudo.
Um sentimento nessa ausência, a amabilidade do acaso. O desconforto de sua roupa o fez levantar, na pequena mesa com um rádio relógio indicando longas horas da madrugada, voltou a perceber o barulho da gota, desprezando a pia.
Voltou ao banheiro, olhou o bilhete com os olhos lacrimejando, como se visse o reflexo de toda sua atenção, todo o zelo que procurava ter... Era um pedaço ( o único) dela que ainda restava.
Levou as mãos até o rosto, deslizou pelos azulejos da parede e aos soluços chorou, encolhendo-se cada vez mais...
Afogando-se, enclausurando-se sobre o intervalo da pia e o vaso sanitário... Era ali sua prisão e sua sentença assinada num pedaço de papel brilhante!
Seus princípios haviam sido cruelmente chocados, não havia um “nós” não havia espaço pra mais ninguém e apenas todo o seu vazio preenchido de uma enorme mágoa e insensatez, cabia a ele sofrer...
Sofrer seus dias, despejando toda a inutilidade e precariedade no seu intervalo. Sua vida era o intervalo da pia e o vaso, seu tempo era um bilhete, suplicando de que as gotas cessem...
(26 de agosto de 2008)
Deitado na cama com as mãos entrelaçadas sobre o ventre, num olhar fixo e perdido na mancha do teto.
O cansaço o fez dormir.
As gotas provocavam eco, eco esse refletido inconscientemente [irritantemente] em sua cabeça.
O quarto escuro por completo se a luz do banheiro não estivesse acesa, na porta semi-aberta.
Acordou debruçado sobre suas coisas jogadas no canto da cama, havia babado...
O rosto amassado e seu escarro refletido nas gotas incansáveis de uma pia que continha um bilhete, era um papel colorido, fluorescente, colado abaixo do espelho:
“Feche bem a torneira” - Foi o último bilhete deixado antes de partir.
Ela partiu em silêncio.
Seu único pedido era por ele negado, como sinônimo de todo seu orgulho e conflitos internos, buscando lógicas comportamentais, buscando razões, buscando o inverso de uma profunda solidão e desolamento, buscando... Buscando um sentido nisso tudo.
Um sentimento nessa ausência, a amabilidade do acaso. O desconforto de sua roupa o fez levantar, na pequena mesa com um rádio relógio indicando longas horas da madrugada, voltou a perceber o barulho da gota, desprezando a pia.
Voltou ao banheiro, olhou o bilhete com os olhos lacrimejando, como se visse o reflexo de toda sua atenção, todo o zelo que procurava ter... Era um pedaço ( o único) dela que ainda restava.
Levou as mãos até o rosto, deslizou pelos azulejos da parede e aos soluços chorou, encolhendo-se cada vez mais...
Afogando-se, enclausurando-se sobre o intervalo da pia e o vaso sanitário... Era ali sua prisão e sua sentença assinada num pedaço de papel brilhante!
Seus princípios haviam sido cruelmente chocados, não havia um “nós” não havia espaço pra mais ninguém e apenas todo o seu vazio preenchido de uma enorme mágoa e insensatez, cabia a ele sofrer...
Sofrer seus dias, despejando toda a inutilidade e precariedade no seu intervalo. Sua vida era o intervalo da pia e o vaso, seu tempo era um bilhete, suplicando de que as gotas cessem...
(26 de agosto de 2008)
24 julho 2008
Instintos
- Ele é um ególatra, um esnobe, individualista!
- Não estou aqui para discutir posturas de terceiros com você, quem somos nós pra julgar?
- Você não sabe o que diz, mas eu sei! Ele me traiu, eu não desisti dos nossos sonhos, ainda luto por aquela marca e ele... Ele deu as costas a tudo isso, quanto mais alimenta seus conhecimentos, estuda e a cada linha que lê de livros de grandes pensadores, um passo a menos de humildade... Um passo a menos de humanismo, é apenas um poço de sabedoria soberba.
- Chega disso! Eu não agüento mais! (aos soluços pude ver a pobre garota cobrindo o rosto com as mãos, as lágrimas em seus dedos era o sufocar dos fatos).
Estava ela falando de Arte num tom hostil, eram clássicos infantis, grandes obras!
O que os tornam viajantes de estradas diferentes: No início eram apenas jovens e banalidades que ganham prioridades em determinados contextos de uma história de vida, no outro se tornam rivais dos pontos de vista e atitudes até então ordinárias. Tornam-se escravos de suas idéias e da força que o conflito delas pode gerar.
- Eu falava de um livro, da magia de um livro, apenas isso... Não queria causar uma discussão e tão pouco fazê-lo recordar de angústias passadas...
- Sinto angústia, de fato... Não posso negar todo o sofrimento que aquele... (hesitou...).
Ela se adiantou, antes que ele voltasse a sua retórica ofensiva:
- Tudo bem, não falaremos de vocês dois, voltaremos ao tema inicial dessa conversa até então agradável.
- Mas isso tudo é culpa sua! Acaba com esse jeito cáustico e agressivo por causar sentimentos de fúria em mim, um homem com problemas de mais para certas imaturidades transpostas num diálogo cansativo e sem fundamento algum!
- Na infância eu li aquele livro, me sinto como o protagonista dele, acredito ainda, que estamos todos perdidos e buscamos onde nos encaixar, na individualidade de sermos formados por milhares de coisas, mas todas elas acopladas, num contexto onde o resultado é apenas um, um único ser de tudo aquilo e é tão difícil e complexo lidar com as diferenças.
- Me sinto perdido.
- Somos todos únicos, eu-você-ele: Talvez isso torne tão difícil julgar atitudes...
- Não retomemos essa discussão besta!
- Enfim... Era sobre o protagonista do livro infantil que eu queria dizer...
- Sobre a Arte presente desde a infância.
- Não, sobre a idéia de estar/sentir-se perdido, sendo individual apesar de viver em sociedade.
- Quem lhe apontou uma verdade há muito tempo exposta por tantos filósofos, psicólogos, pensadores, estudiosos ou até na análise simples de comportamentos, foi a obra infantil daquele autor?
- Não necessariamente... Mas talvez tenha sido o reflexo de percepções em mim contidas.
Ele parecia saber exatamente o efeito que suas perguntas causariam e já estavam causando, ela se via confusa até mesmo com suas respostas vagas...
Sua confusão começava na inversão de papéis: era posta à mesa suas perguntas, o encurralado nas dúvidas e respostas que exigiam mais prontidão e total atenção de quem está sendo questionado era o outro, era sempre o outro.
O conflito esticava-se até suas reflexões, que ele insistia em aguçar de forma sutil, mas que mesmo assim a abalava, sendo que ela não compreendia as razões desse efeito e o que lhe traria a proporcionar isso, voluntario ou involuntariamente ele provocou uma guerra no interior de uma alheia.
Ela sabia disso e havia uma revolta tão grande e um asco dessa conversa de início banal que agora se prolongava inúmeras vezes, de inúmeras formas em sua mente.
- Apresentando idéias e suas reflexões através da Arte de outrem?
- Não é bem assim... (calou-se, sem convencer e sabendo disso).
- Qual a importância da Arte para sua vida?Ela ficou parada por um tempo, assimilando as informações, se já não estivesse confusa teria a resposta em prontidão, por que hesitava dessa vez?
Sempre deixou nítida sua essencialidade, mas dessa vez era diferente... Ela temeu e recebeu a pergunta como uma tempestade de incertezas que a dominavam provocando um estado de desconforto.
Tentando passar serenidade e convicção, respondeu, desta vez sem muita prontidão mas manifestando segurança e com a cabeça erguida:
- Ela é essencial, talvez viva por ela. Isso se não vivo nela, de fato.
Triunfante! Uma atriz, uma verdadeira atriz!
Um pouco decepcionado com sua persuasão, encerram a conversa da mesma maneira que a iniciaram.
Nela provocando um alivio, foi um exaustivo interrogatório do qual prosseguiu de forma estratégica e numa perfeita atuação!
- Não estou aqui para discutir posturas de terceiros com você, quem somos nós pra julgar?
- Você não sabe o que diz, mas eu sei! Ele me traiu, eu não desisti dos nossos sonhos, ainda luto por aquela marca e ele... Ele deu as costas a tudo isso, quanto mais alimenta seus conhecimentos, estuda e a cada linha que lê de livros de grandes pensadores, um passo a menos de humildade... Um passo a menos de humanismo, é apenas um poço de sabedoria soberba.
- Chega disso! Eu não agüento mais! (aos soluços pude ver a pobre garota cobrindo o rosto com as mãos, as lágrimas em seus dedos era o sufocar dos fatos).
Estava ela falando de Arte num tom hostil, eram clássicos infantis, grandes obras!
O que os tornam viajantes de estradas diferentes: No início eram apenas jovens e banalidades que ganham prioridades em determinados contextos de uma história de vida, no outro se tornam rivais dos pontos de vista e atitudes até então ordinárias. Tornam-se escravos de suas idéias e da força que o conflito delas pode gerar.
- Eu falava de um livro, da magia de um livro, apenas isso... Não queria causar uma discussão e tão pouco fazê-lo recordar de angústias passadas...
- Sinto angústia, de fato... Não posso negar todo o sofrimento que aquele... (hesitou...).
Ela se adiantou, antes que ele voltasse a sua retórica ofensiva:
- Tudo bem, não falaremos de vocês dois, voltaremos ao tema inicial dessa conversa até então agradável.
- Mas isso tudo é culpa sua! Acaba com esse jeito cáustico e agressivo por causar sentimentos de fúria em mim, um homem com problemas de mais para certas imaturidades transpostas num diálogo cansativo e sem fundamento algum!
- Na infância eu li aquele livro, me sinto como o protagonista dele, acredito ainda, que estamos todos perdidos e buscamos onde nos encaixar, na individualidade de sermos formados por milhares de coisas, mas todas elas acopladas, num contexto onde o resultado é apenas um, um único ser de tudo aquilo e é tão difícil e complexo lidar com as diferenças.
- Me sinto perdido.
- Somos todos únicos, eu-você-ele: Talvez isso torne tão difícil julgar atitudes...
- Não retomemos essa discussão besta!
- Enfim... Era sobre o protagonista do livro infantil que eu queria dizer...
- Sobre a Arte presente desde a infância.
- Não, sobre a idéia de estar/sentir-se perdido, sendo individual apesar de viver em sociedade.
- Quem lhe apontou uma verdade há muito tempo exposta por tantos filósofos, psicólogos, pensadores, estudiosos ou até na análise simples de comportamentos, foi a obra infantil daquele autor?
- Não necessariamente... Mas talvez tenha sido o reflexo de percepções em mim contidas.
Ele parecia saber exatamente o efeito que suas perguntas causariam e já estavam causando, ela se via confusa até mesmo com suas respostas vagas...
Sua confusão começava na inversão de papéis: era posta à mesa suas perguntas, o encurralado nas dúvidas e respostas que exigiam mais prontidão e total atenção de quem está sendo questionado era o outro, era sempre o outro.
O conflito esticava-se até suas reflexões, que ele insistia em aguçar de forma sutil, mas que mesmo assim a abalava, sendo que ela não compreendia as razões desse efeito e o que lhe traria a proporcionar isso, voluntario ou involuntariamente ele provocou uma guerra no interior de uma alheia.
Ela sabia disso e havia uma revolta tão grande e um asco dessa conversa de início banal que agora se prolongava inúmeras vezes, de inúmeras formas em sua mente.
- Apresentando idéias e suas reflexões através da Arte de outrem?
- Não é bem assim... (calou-se, sem convencer e sabendo disso).
- Qual a importância da Arte para sua vida?Ela ficou parada por um tempo, assimilando as informações, se já não estivesse confusa teria a resposta em prontidão, por que hesitava dessa vez?
Sempre deixou nítida sua essencialidade, mas dessa vez era diferente... Ela temeu e recebeu a pergunta como uma tempestade de incertezas que a dominavam provocando um estado de desconforto.
Tentando passar serenidade e convicção, respondeu, desta vez sem muita prontidão mas manifestando segurança e com a cabeça erguida:
- Ela é essencial, talvez viva por ela. Isso se não vivo nela, de fato.
Triunfante! Uma atriz, uma verdadeira atriz!
Um pouco decepcionado com sua persuasão, encerram a conversa da mesma maneira que a iniciaram.
Nela provocando um alivio, foi um exaustivo interrogatório do qual prosseguiu de forma estratégica e numa perfeita atuação!
19 julho 2008
Relatos egocêntricos
Nove de junho de 2008-07-19
O nome dele era Chico e o da minha história era “A fadinha e o super-herói”, esse nome carregava um pesado fardo, responsável... Talvez de valor sentimental para outros e inspiração para alguns.
Foi assim que o nome da minha história junto com toda ela virou uma correspondência ao dono do nome Chico e de todo ele.
Qual seria o terceiro nome ao aparecer aqui? Seria aquele não sei, teria eu, o direito de saber que já indiretamente sou responsável por esse nome por todo o seu resto? Esses relatórios se perderam, talvez sem se quer existem, a forma mais utópica de sentir falta, é de tudo aquilo que não se conhece. Sinto falta daquela correspondência extraviada, interrompida, daquela que nunca vi, nunca li e que tanto quis apreciar, me emocionar, tendo a certeza de que me acrescentaria um tanto, deixando de lado a importância... Tornando desnecessário esse relato, mudando um pouco seu sentido, desconfigurando.
Passam-se textos, pensamentos e as pessoas e tudo isso e mais todo o resto sem que possamos ao menos ter acesso ou aproveitar disso e daquilo...
E por que do “possamos”, estou falando de mim, falo egocentricamente dos meus sentimentos e pensamentos e não há espaço nesse caso para reflexões com o resto da sociedade, necessito desse individualismo momentâneo e me iludir por alguns instantes de que a única razão e preocupação mundial são todas ligadas ao meu bem-estar.
Ainda não semana passada um amigo me dizia que o problema da falta de ignorância é que agregamos os problemas mundiais em nosso cotidiano, trocamos o mais sofisticado pelo mais justo e baseado nisso decido que nesse relato ignorarei o resto dos problemas mundiais e sociais (aqueles que conheço e/ou tenho noção que existem)
Tornando-me extravagante.
Voltando a causa do relato, discuti com minha terapeuta há umas duas semanas atrás de que não poderia sentir falta do que nunca vivi, ela concordou que tecnicamente eu tinha razão, mas que na prática eu poderia me frustras em determinados atos que nunca fiz e me pego em controvérsia, sinto falta do que idolatrei sem ter vivido ou possuído, não que seja a mesma coisa que “frustrações, falta daquilo que não viveu”, isto que digo são fatos pequenos e não creio que nos maiores isso seja possível, nas futilidades isso é mais aceitável.
Entendo agora porque conjugando verbos na 1ª pessoa do plural é mais digerível e menos exibicionista, agora estou me sentindo invadida e acabei por não ser clara, ah!
Cansei disso ta? Hasta!
O nome dele era Chico e o da minha história era “A fadinha e o super-herói”, esse nome carregava um pesado fardo, responsável... Talvez de valor sentimental para outros e inspiração para alguns.
Foi assim que o nome da minha história junto com toda ela virou uma correspondência ao dono do nome Chico e de todo ele.
Qual seria o terceiro nome ao aparecer aqui? Seria aquele não sei, teria eu, o direito de saber que já indiretamente sou responsável por esse nome por todo o seu resto? Esses relatórios se perderam, talvez sem se quer existem, a forma mais utópica de sentir falta, é de tudo aquilo que não se conhece. Sinto falta daquela correspondência extraviada, interrompida, daquela que nunca vi, nunca li e que tanto quis apreciar, me emocionar, tendo a certeza de que me acrescentaria um tanto, deixando de lado a importância... Tornando desnecessário esse relato, mudando um pouco seu sentido, desconfigurando.
Passam-se textos, pensamentos e as pessoas e tudo isso e mais todo o resto sem que possamos ao menos ter acesso ou aproveitar disso e daquilo...
E por que do “possamos”, estou falando de mim, falo egocentricamente dos meus sentimentos e pensamentos e não há espaço nesse caso para reflexões com o resto da sociedade, necessito desse individualismo momentâneo e me iludir por alguns instantes de que a única razão e preocupação mundial são todas ligadas ao meu bem-estar.
Ainda não semana passada um amigo me dizia que o problema da falta de ignorância é que agregamos os problemas mundiais em nosso cotidiano, trocamos o mais sofisticado pelo mais justo e baseado nisso decido que nesse relato ignorarei o resto dos problemas mundiais e sociais (aqueles que conheço e/ou tenho noção que existem)
Tornando-me extravagante.
Voltando a causa do relato, discuti com minha terapeuta há umas duas semanas atrás de que não poderia sentir falta do que nunca vivi, ela concordou que tecnicamente eu tinha razão, mas que na prática eu poderia me frustras em determinados atos que nunca fiz e me pego em controvérsia, sinto falta do que idolatrei sem ter vivido ou possuído, não que seja a mesma coisa que “frustrações, falta daquilo que não viveu”, isto que digo são fatos pequenos e não creio que nos maiores isso seja possível, nas futilidades isso é mais aceitável.
Entendo agora porque conjugando verbos na 1ª pessoa do plural é mais digerível e menos exibicionista, agora estou me sentindo invadida e acabei por não ser clara, ah!
Cansei disso ta? Hasta!
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